quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Girassol

Eu vi aquela flor desde seu início.
Vi florescer... tornar-se um amarelo forte e quente.
Todas as outras flores do meu jardim eram simplesmente flores. Não conseguia categorizar por tipo ou dizer qual era, entre elas, a mais especial. Mas com aquela flor amarela era diferente... Saia ás 8:00 para o trabalho e, devido á melancolia permanente, sempre me atrasava, mas comecei a acordar cedo pra regar aquela mesma flor especial que, entre as outras destacava-se tão amarela. Agora tinha um propósito, simples e belo, que não incluía, a mesmice de dias frenéticos. Tinha agora uma flor belíssima e amarela... brilhando em meu jardim!

Acordo, rego-a, me perco em sentimentos e pensamentos que desencadeiam o tempo mais lindo e nostálgico dentro de mim e depois volto pra realidade cinza e sigo pro banheiro pra iniciar mais um dia convencional. Sabe quando você consta que sua vida padece em infelicidade? Quando os tempos felizes transformam-se em nostalgia e você, sente-se obrigado a concordar/dizer: "Já passou". São apenas dias felizes que não são mais. Viraram dias cinzas.

Todavia uma simples flor colore meu dia e me dá um propósito.

Tentarei, em presente, ser menos escravo de meus dias cinzas, pra ser servo cuidador ativo da minha flor amarela que brilha em meu jardim...


domingo, 1 de janeiro de 2017

Ilusão

Fomos ao parque.
No caminho, olhei sobre a janela do carro, em movimento, o céu que se movia lá em cima com suas grandes nuvens brancas e uma irritante bola amarela, então perguntei pra minha mãe que calada dirigia:
- O que é aquilo que em amarelo irritante, no céu, brilha?
- Aquilo é o sol, querida. É a estrela que nos aquece e quando entardece é a mesma que nos deixa pra iniciar, logo logo, um novo dia.
  Passamos, no caminho, por um posto destruído. Não existia mais estrutura ali, somente cinzas e um passado trágico, como se a causa daquilo tivesse sido o equívoco de uma furiosa raiva. Então perguntei, triste, para minha mãe:
- Por que alguém faria isso?
- Porque as pessoas não pensam direito e descontam no que tem pela frente, querida, até mesmo no que não pode ser tocado por elas mesmas.
  Chegando perto do parque, passamos por um grupo de pessoas, vestidas de branco e rodando, com olhos arregalados e sorriso armado no rosto. Então, com o mesmo sorriso armado no rosto que aquelas pessoas estavam, perguntei:
- Quem são aquelas pessoas?
- São indigentes, querida. Ignore esse tipo de coisa.
- Mas por que são indigentes?
- Por que vão contra nossos princípios. Não merecem ser chamadas de gente.
- Mas...
  Olha... não sei se, naquele momento, minha mãe me daria um tapa ou me gritaria, ou o que aconteceria se eu tivesse mesmo perguntado pra ela todas essas coisas durante o caminho em que íamos pro parque. O fato é que eu fui ao parque.
Calada.
Por saber, naquele momento, a consequência de muito "mas".