Fomos ao parque.
No caminho, olhei sobre a janela do carro, em movimento, o céu que se movia lá em cima com suas grandes nuvens brancas e uma irritante bola amarela, então perguntei pra minha mãe que calada dirigia:
- O que é aquilo que em amarelo irritante, no céu, brilha?
- Aquilo é o sol, querida. É a estrela que nos aquece e quando entardece é a mesma que nos deixa pra iniciar, logo logo, um novo dia.
Passamos, no caminho, por um posto destruído. Não existia mais estrutura ali, somente cinzas e um passado trágico, como se a causa daquilo tivesse sido o equívoco de uma furiosa raiva. Então perguntei, triste, para minha mãe:
- Por que alguém faria isso?
- Porque as pessoas não pensam direito e descontam no que tem pela frente, querida, até mesmo no que não pode ser tocado por elas mesmas.
Chegando perto do parque, passamos por um grupo de pessoas, vestidas de branco e rodando, com olhos arregalados e sorriso armado no rosto. Então, com o mesmo sorriso armado no rosto que aquelas pessoas estavam, perguntei:
- Quem são aquelas pessoas?
- São indigentes, querida. Ignore esse tipo de coisa.
- Mas por que são indigentes?
- Por que vão contra nossos princípios. Não merecem ser chamadas de gente.
- Mas...
Olha... não sei se, naquele momento, minha mãe me daria um tapa ou me gritaria, ou o que aconteceria se eu tivesse mesmo perguntado pra ela todas essas coisas durante o caminho em que íamos pro parque. O fato é que eu fui ao parque.
Calada.
Por saber, naquele momento, a consequência de muito "mas".
domingo, 1 de janeiro de 2017
Ilusão
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