Do trabalho ele foi pra casa. Sem intermediário. No dia seguinte, devido à vespera do ano, estava liberado de seu ofício, mas não teve conversa com ele: Do trabalho ele foi pra casa e ponto.
Tinha um opala dos seus tempos de moço jovem, mas não gostava de usar. Para ele, não usar era melhor que usar de vez em quando. Desculpas ou não, ficava por não usar mesmo e, por ele, tanto fazia.
Chegou em frente à sua morada e parou. Permaneceu-se imóvel por uns centavos de tempo e viu que já era a hora de repintar a fachada da casa e trocar o portão que já tava pra lá de passado. Pensou com ele que dava pra pagar as mudanças, mas era coisa pro próximo mês, e não tinha como planejar no momento em que pensava sobre o assunto. Seu bairro estava em euforia pelo ano que se aproximava.
Nunca foi um homem de exageros. Nem em sociedade, nem em intimidade. Tomou seu banho - que durava pouco mais de 15 minutos - e logo foi pra cama. Tirou da cabeceira um livro do Freud e retomou da parte que parou. O homem gostava de tomar doses de "realidade" em suas vésperas de sono. Não folheou mais que três poucas páginas e tombou cansado.
Na madrugada do dia seguinte, acordou. Como já era convencional esse acontecimento, fez o que sempre fazia quando acordava naquelas condições: arrumava a cama; sentava diante de sua mesa de mármore preta e olhava pra parede cor-de-creme até seus olhos notarem os primeiro raios de sol do dia.
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