quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

01/01/2021

Tive que refazer o início deste texto. Não posso me ater a escrever reflexões ambíguas e longas. A verdade que eu gostaria de transformar em palavras pode se resumir em duas palavras: eu perdi. Perdi para mim mesmo.

Perdi por causa da minha falta de coragem, perdi pela minha prepotência, perdi graças aos meus próprios monstros inventados. O cansaço cada vez mais, pelo que sinto, está chegando no meu limite. Quanto mais apanho, mais me canso de apanhar; quanto mais batalhas perco, mais me canso de perdê-las. E qual o efeito colateral da derrota, no fim das contas? Não sei, mas busco não pensar nisto.

A real é que o cansaço bate mais ainda quando eu prevejo que mais derrotas estão por vir, e a guerra está longe de acabar. Guerra que eu perdi há muito tempo atrás. E esperar mais uma decepção pra quê, mesmo que a última? Eu já perdi. Sorte dos que me rodeiam, e por mim demonstram algum apresso, que amo minha vida na mesma intensidade que a odeio. Não me vejo "cortando atalhos". Então é o que me basta: seguir, sobreviver e tentar viver.

E se respirar for o que é preciso, então seguirei respirando. Mas deixo bem claro: acabo de desistir de ser feliz, de ser amado, de tentar amar e de demonstrar aquilo que há de bom em mim, ainda. Daqui pra frente o que acontecer, aconteceu. Entrego o que me acometer às maos do destino (Sejam coisas boas ou ruins), e que se foda o fim desta guerra. No fim das contas, não restará sobreviventes.

domingo, 27 de dezembro de 2020

A Reflexão de Ferdinando

Ferdinando refletia sobre a vida do homem como ela é. Percebeu que alguns de nós acordamos e nos preparamos para um longo dia, mesmo que não da melhor forma, e saímos a exercer boas ações no percurso do caminho. A fim de quê? De salvar o mundo de alguma forma, mesmo que ele esteja despencando cada vez mais, no presente, e em constância. 

Mas, percebeu ele, que alguns de nós, de uma forma ou de outra, sempre tenta compensar as coisas (Mesmo sabendo, no âmago do ser delas, que tragédias pesem muito mais que coisas boas). E elas caminham mais e mais, de forma rápida ou lenta, e influenciam outras a caminhar também. Essa era uma das belezas da vida a propósito, reconheceu Ferdinando.

Em contraponto, ele percebeu que alguns de nós acordamos da melhor forma desejando que os seus próprios semelhantes nem se quer acordassem. E saem por ai expurgando de dentro de si maldade no percurso do caminho. E qual a finalidade disso? O caos. Pois sabem que o mundo cada vez mais despenca; já se convenceram que para isto não existe mais reversão.

E elas gostam de pesar no lado mais pesado da balança: o triste. Assim como as boas pessoas, elas gostam de semear coisas por aí, mas semeam o que têm: suas desgraças e deficiências. E caminham mais e mais por ai, semeando por todos os cantos aquilo de ruim que consigo carregam. Com isso, Ferdinando notou a moral da história que o ponto e o contraponto lhe mostrara, e era a mais pura verdade de todas: o ser humano é o lindo castelo e ao mesmo tempo a própria ruína dele.