Submundo Perfeito
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
01/01/2021
domingo, 27 de dezembro de 2020
A Reflexão de Ferdinando
quarta-feira, 12 de agosto de 2020
Presságio
terça-feira, 10 de setembro de 2019
Abaeté
Sobre os olhos claros da lua,
Espero os seus mais que verdes.
Ainda espero teus verdes olhos
Sobre o claro que já se forma;
Sobre a lua já não tão lua.
Sob o escuro que já não é,
Fitei minha infelicidade:
Se não o lago, e a lenta maré,
Levarei somente saudade?
terça-feira, 16 de abril de 2019
Maldição
O peso.
O pensamento.
O desespero.
O tempo,
O constante tempo,
Omitindo o que me é constante.
O peso presente,
Sempre o peso presente,
Do que é a minha cruz.
É o que não devia ser;
O que não se devia pesar;
O que não se deveria ter.
quarta-feira, 13 de março de 2019
Soneto da Agonia Impensada
No dado instante momento,
É tristeza nos olhos;
A agonia dos melancólicos.
Dado meus olhos que lacrimejam,
O não-presente instante.
Como se tristeza constante passasse.
Encontro-me desesperado.
Obstinado aos sorrisos passantes.
Me resumo a vento nublado,
Num profundo estado de 'solitude'.
sábado, 2 de março de 2019
Poema da Vivência
É como voltar pra casa depois de uma longa viagem
E andar com lentos passos,
Sem saudades dos que já foram rápidos.
É uma questão de aceitar seu tempo
E saber que o que se aparenta, é o que é.
É desistir depois gastar todas as suas fichas,
Sabendo que é impossível. Mas é também tentar sabendo que as chances ainda existem.
É ir padecendo aos poucos e, vez ou quando, sentindo um pouco de alegria; o pouco que a vida lhe oferece de fronte à uma vida de solitude.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Croniquêta 02 - Compadecer-se
Do trabalho ele foi pra casa. Sem intermediário. No dia seguinte, devido à vespera do ano, estava liberado de seu ofício, mas não teve conversa com ele: Do trabalho ele foi pra casa e ponto.
Tinha um opala dos seus tempos de moço jovem, mas não gostava de usar. Para ele, não usar era melhor que usar de vez em quando. Desculpas ou não, ficava por não usar mesmo e, por ele, tanto fazia.
Chegou em frente à sua morada e parou. Permaneceu-se imóvel por uns centavos de tempo e viu que já era a hora de repintar a fachada da casa e trocar o portão que já tava pra lá de passado. Pensou com ele que dava pra pagar as mudanças, mas era coisa pro próximo mês, e não tinha como planejar no momento em que pensava sobre o assunto. Seu bairro estava em euforia pelo ano que se aproximava.
Nunca foi um homem de exageros. Nem em sociedade, nem em intimidade. Tomou seu banho - que durava pouco mais de 15 minutos - e logo foi pra cama. Tirou da cabeceira um livro do Freud e retomou da parte que parou. O homem gostava de tomar doses de "realidade" em suas vésperas de sono. Não folheou mais que três poucas páginas e tombou cansado.
Na madrugada do dia seguinte, acordou. Como já era convencional esse acontecimento, fez o que sempre fazia quando acordava naquelas condições: arrumava a cama; sentava diante de sua mesa de mármore preta e olhava pra parede cor-de-creme até seus olhos notarem os primeiro raios de sol do dia.